Colocar o bem comum em primeiro lugar e atuar sempre que possível para promovê-lo é dever de todo cidadão responsável.

No dia 4 de agosto de 2026, o Instituto PluriBrasil participou, por meio de seu presidente, Dr. Igor Shimura, de audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal, com a temática “Memória do Holocausto Cigano”.

A audiência reuniu especialistas, pesquisadores e representantes envolvidos com a temática. Além do Dr. Igor Shimura, participaram como palestrantes o Dr. Marcos Toyansk (SESC-SP), a Dra. Aline Miklos (Instituto Vladimir Herzog), a Dra. Hayanne Iovanovichi (SEMIPI-PR) e o Dr. Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba.

Presidida pela senadora Damares Alves, presidente da CDH e propositora da audiência, a sessão teve como objetivo debater o Holocausto Cigano e as perseguições promovidas pelo regime nazista contra minorias étnicas, dando visibilidade à memória das vítimas e contribuindo para o enfrentamento ao anticiganismo e às intolerâncias étnicas. Também foram discutidos a preservação da memória histórica como instrumento de educação e cidadania e o fortalecimento de políticas públicas de combate ao racismo contra os povos ciganos no Brasil.

Em sua palestra, o Dr. Igor Shimura destacou a necessidade de combater o discurso de ódio e chamou a atenção para os processos sociais que antecedem manifestações mais explícitas de violência. Segundo afirmou, o discurso de ódio “não nasce com a violência física, mas começa nas palavras, nas categorias e nas narrativas que desumanizam determinados grupos sociais”.

Dr. Igor Shimura, Presidente do Instituto PluriBrasil, em pronunciamento. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A pesquisadora cigana Aline Miklos ressaltou que relembrar o Holocausto Cigano é fundamental para compreender a trajetória histórica das perseguições aos povos ciganos e combater o racismo que ainda atinge essas comunidades. Segundo ela, o anticiganismo antecede o próprio nazismo e possui uma longa trajetória histórica, permanecendo presente em práticas de discriminação e exclusão até os dias atuais. “O anticiganismo não é apenas preconceito. É uma forma específica de racismo”, afirmou.

Em sua participação, a advogada cigana Hayanne Iovanovichi destacou que a preservação da memória do Holocausto Cigano é essencial para impedir a repetição de ideologias de ódio e combater o anticiganismo, que ainda se manifesta por meio de estereótipos, discriminação e exclusão.

O Dr. Marcos Toyansk destacou que judeus e povos ciganos compartilham uma longa história de perseguições que culminou no Holocausto promovido pelo regime nazista. Segundo ele, ambos os povos foram alvo de políticas de extermínio fundamentadas em teorias raciais pseudocientíficas. No entanto, o reconhecimento dos ciganos como vítimas de perseguição racial ocorreu tardiamente, constituindo uma lacuna histórica que diferentes iniciativas de memória e reconhecimento buscam enfrentar até os dias de hoje.

O coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, reforçou a importância da preservação da memória do Holocausto Cigano como forma de reconhecer que os povos ciganos também foram vítimas das políticas de perseguição e extermínio do regime nazista. Em sua participação, defendeu a criação de um Dia Nacional em Memória do Holocausto Cigano e a implementação de um plano nacional de combate ao anticiganismo.

Além dos expositores, dentre os quais alguns que representam comunidades, também participaram da audiência alguns representantes de diferentes comunidades ciganas: Comunidade Calon de Trindade-GO; Comunidade Calon de Caldas Novas-GO e Comunidade Rom de Goiânia-GO. Ao final da audiência, a senadora Damares Alves anunciou a criação de um Grupo de Trabalho destinado à discussão de uma proposta legislativa para a instituição de um dia nacional de enfrentamento ao anticiganismo, ampliando o debate sobre medidas de reconhecimento, memória e combate à discriminação contra os povos ciganos no país.

Para o Instituto PluriBrasil, a participação na audiência pública no Senado Federal reforça seu compromisso com a promoção dos direitos dos povos ciganos, com a preservação de sua memória histórica e com o enfrentamento ao anticiganismo. O Instituto considera fundamental ampliar o diálogo entre sociedade civil, poder público, pesquisadores e representantes dos próprios povos ciganos para a construção de políticas públicas que promovam o reconhecimento, a dignidade e a garantia de direitos dessas comunidades no Brasil.

Para assistir à audiência pública na íntegra, acesse: https://www12.senado.leg.br/tv/plenario-e-comissoes/comissao-de-direitos-humanos-e-legislacao-participativa/2026/08/cdh-realiza-audiencia-em-memoria-do-holocausto-cigano

Apresentação cultural de mulheres ciganas da Comunidade Calon de Trindade, Goiás. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Dr. Igor (Presidente do Instituto PluriBrasil) e Dr. Esequiel Roque do Espírito Santo (Assessor parlamentar) junto com com representantes das Comunidades Ciganas de Trindade, Goiás (Erli e Simone) e de Caldas Novas, Goiás (Silmar).
Coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss em pronunciamento. Foto: Carlos Moura/Agência Senado.
Da bancada, ciganos acompanham audiência. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Coordenadora da Política de Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná, e idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana em Curitiba, Dra. Hayanne Iovanovitchi. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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