Colocar o bem comum em primeiro lugar e atuar sempre que possível para promovê-lo é dever de todo cidadão responsável.
Entrega do Vestido de Cigana ao Museu Paranaense.

No último dia 11 de março, a parceria entre o Instituto PluriBrasil e a Associação Social Povo da Alaíde (ASPA) produziu um momento histórico ao estado do Paraná: a doação de um Vestido de Cigana da etnia Calon ao Museu Paranaense, em Curitiba-PR.

Na cerimônia de entrega do artefato, conduzida pela antropóloga do Museu, Josi Spenassatto, reuniram os presidentes das respectivas organizações, o Dr. Igor Shimura e a Dona Alaíde Soares, bem como o diretor do Museu do Holocausto, Carlos Reiss, a coordenadora dos Povos e Comunidades Tradicionais/SEMIPI/PR, Hayanne Iovanovitchi (e equipe), a assessora da Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres/SEMIPI/PR, Kelly Letchakowski, assim como membros do Instituto, o vice-presidente, Sergio Silva, e a psicóloga Sheila Moreira. Estiveram presentes também as netas da Sra. Alaíde, B. e E., e um de seus filhos, Fabiano.

A doação do Vestido representou um grande avanço da participação do povo cigano, sobretudo da etnia Calon, nesse espaço de memória social que é o Museu Paranaense. Feito à mão pela própria Dona Alaíde, o vestido de cor bordô, com detalhes em laranja e fitas coloridas, simboliza a resistência dos povos ciganos Calon diante das forças de assimilação cultural que afetam a comunidade. Vestir-se tipicamente, ostentar as roupas culturais, tem o seu preço discriminatório diante da sociedade envolvente, que ainda reproduz estereótipos contra ciganos.

Segundo a Sra. Alaíde, a doação tem “a ver com nós, ciganos, que também queremos se ver no museu, um lugar tão importante para contar a história dos povos”. “Se tem coisas dos outros povos lá, eu também quero que tenha coisa de cigano sendo mostrado, para os não ciganos conhecerem mais sobre a gente”, disse.

O Vice-presidente do Instituto, Sergio Silva, em sua fala, afirmou que “uma vez que o museu possui elementos da cultura cigana em seu acervo, há um estímulo aos ciganos em visitar o museu e partilhar do conhecimento que ali é oferecido”.

Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto, elogiou a iniciativa, destacando a história comum entre judeus e ciganos, por ocasião do holocausto nazista, enfatizando a “grande importância de manter viva a memória dos povos em lugares que preservam histórias, informam e educam a sociedade”, como é o Museu.

Hayanne Iovanovichi, como mulher cigana, e idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana – Museu Romanô Curitiba, descreveu a iniciativa como um avanço que dignifica o povo cigano, e combate o racismo e o preconceito. Sua presença na cerimônia marcou o momento, onde relembramos de seu avô, o cigano Rom Claudio Iovanovitchi, um dos mais ilustres ativistas ciganos que o Brasil já conheceu, falecido em março de 2025.

Em 2021 o Instituto PluriBrasil, sob a direção do cigano Calon, Antonio Pereira – então diretor de Projetos Ciganos do Instituto, fez a doação de uma Bandeira Romani ao Museu Paranaense, artefato em exposição ininterrupta do local, atraindo olhares curiosos dos visitantes. Essa contribuição tem se desdobrado de diferentes formas ao longo do tempo, sendo uma das formas o desenvolvimento do Projeto de Memória Étnica do Instituto, visando educar, informar e enfrentar a discriminação étnico-racial e a xenofobia ainda presente na sociedade.

Hayanne Iovanovichi, cigana e coordenadora dos Povos e Comunidades Tradicionais/SEMIPI/PR, com a Dona Alaíde, Presidente da Associação Social Povo da Alaíde, e Kelly Letchakowski, assessora da Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres/SEMIPI/PR
Dona Alaíde na entrada do Museu Paranaense.
Da esquerda para a direita: B. (neta), Dona Alaíde, Josi Spenassatto (antropóloga do Museu Paranaense), E. (neta) e Dr. Igor Shimura.
Contemplação. Bandeira doada pelo Instituto PluriBrasil em 2021.

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